Percurso Homologado - Federação Campismo e Montanhismo de Portugal
Percurso
A Rota do Brejo e Bando dos Santos desenvolve-se ao longo da Serra do Bando e passa por algumas das aldeias circundantes, nomeadamente Castelo, Corgas Fundeira e Cimeira e Chão do Brejo, esta última atualmente abandonada. Do início ao fim, trata‑se de um percurso que oferece vistas magníficas e experiências memoráveis.
Tendo o Parque de Merendas do Brejo como ponto central, o caminhante pode planear o seu itinerário de acordo com o que pretende visitar, beneficiando de várias alternativas ao trajeto principal, cada uma com o seu encanto próprio. Independentemente do percurso escolhido, haverá sempre contacto com uma biodiversidade singular, património cultural relevante e diversos locais de interesse geológico.
Assim, sem reservas, aproveite para desfrutar das montanhas de tons azulados!
Património Natural
Estas paisagens serranas são maioritariamente compostas por pinheiro‑bravo e eucalipto, mas incluem também comunidades de sobreiro e medronheiro, entre outras. No estrato arbustivo predominam as urzes, carqueja, lentiscos e a erva‑das‑sete‑sangrias, com as suas delicadas flores azuis. Consoante a época do ano, é ainda possível observar diversas espécies de bolbos e orquídeas selvagens.
Em alguns troços do percurso, e dependendo da estação, podem avistar‑se espécies como a raposa‑vermelha, a águia‑calçada, o texugo, o pombo‑torcaz, a borboleta‑pandora, a borboleta‑azul‑comum, a cotovia‑arbórea, a andorinha‑das‑rochas ou a toutinegra‑do‑mato. Outros animais passam facilmente despercebidos mesmo aos pés do caminhante, como a tarântula‑ibérica (Lycosa hispanica) ou a salamandra‑de‑fogo.
Nos arredores ou junto à lagoa — que surpreende pela sua localização, dimensão e beleza — podem ainda observar‑se aves como o pato‑real e a garça‑cinzenta.
A geodiversidade desta rota é notável. Para além de vestígios fósseis sob a forma de tubos verticais e horizontais, por vezes sinuosos, localizados no ponto de menor altitude da linha de cumeada do Bando dos Santos, observam‑se numerosas dobras rochosas de formas variadas. Não é, por isso, surpreendente a abundância de fósseis, em especial graptólitos e moluscos.
Património Cultural
O património cultural observável ao longo deste percurso é extremamente rico, com alguns elementos a remontarem a dezenas de milhares de anos. Desde a Lagoa do Bando, local com características únicas em todo o Vale do Tejo — onde foram recolhidos 371 artefactos datados do Paleolítico Médio (os estudos indicam tratar‑se de um local de caça e processamento de carcaças) — até ao Miradouro do Bando dos Santos, situado a 500 metros de altitude, a palavra de ordem é simples: desfrutar.
Mas há mais. O sítio da Buraca do Serpe, ocupado desde o Paleolítico e que se pensa ter funcionado de forma complementar ao local de caça da Lagoa do Bando; a Ermida de São Gens, encontrada na descida; as aldeias envolventes, com as suas levadas e engenhos tradicionais de aproveitamento de água; e as pequenas cascatas que embelezam esta área serrana fazem da Rota do Brejo e Bando dos Santos um verdadeiro deleite.
A tradição local refere‑se a esta como uma terra abençoada, fértil e generosa, protegida por São Gens desde tempos imemoriais. Segundo a lenda, toda esta zona terá sido devastada por um grande incêndio há muitos anos, à exceção do cume onde hoje se encontra a ermida. Intrigados, alguns habitantes subiram ao monte para compreender o sucedido e encontraram sobre uma pequena laje a imagem de São Gens. Acreditando que, por milagre do santo, aquela parte do monte tinha sido poupada, levaram a imagem para a Capela de São Mateus, onde foi colocada — apenas para desaparecer no dia seguinte. Após nova procura, a imagem foi novamente encontrada sobre a mesma laje e, uma vez mais, transportada para a capela, de onde voltou a desaparecer. Foi então que a população decidiu construir a Ermida de São Gens, que desde então é local de culto, com romaria anual em janeiro.
De acordo com os registos paroquiais, o terramoto de 1755 provocou danos na Igreja Matriz de Mação e nos alicerces da Ermida de São Gens, confirmando tratar‑se de uma construção secular.