Lenda da Buraca da Raposa
Reza a história que, durante o período das Invasões Francesas, os exércitos napoleônicos passaram por estes territórios, deixando um rasto de medo e sofrimento entre as populações.
As histórias, transmitidas de geração em geração pelos habitantes locais, contam que os franceses, assolados pela fome, pilhavam tudo o que encontravam pelo caminho. Violentavam mulheres, matavam os animais e obrigavam os agricultores a servirem como seus vassalos, privando-os do pouco que possuíam.
Para escapar a tais atrocidades, o povo procurava refúgio em locais de difícil acesso, conhecidos como brutas e buracas — cavernas naturais usadas como esconderijo. Era nesses abrigos que se protegiam da violência e tentavam preservar a sua sobrevivência.
A gruta situada no alto da Serra do Santo, a cerca de 500 metros de altitude, era um desses refúgios. Para além de acolher pessoas, servia também para esconder a carne resultante da matança do porco, uma das principais fontes de alimento da época, guardada longe do alcance dos invasores.
Segundo consta, todos estes acontecimentos terão tido lugar por volta do ano de 1800, permanecendo até hoje na memória coletiva como a Lenda da Buraca da Raposa, símbolo de resistência, medo e engenho do povo face à adversidade.